domingo, 9 de março de 2008

Os incríveis anos 70


Para mim a década de 70 começou em 1968.Tudo o que viria depois, até o início dos anos 80, tinha a ver com o que as pessoas estavam fazendo e discutindo, pelo que ela lutavam, pelo imenso desenvolvimento científico do final dos anos 60 e pelo avanço da TV e dos meios de comunicação de massa. Os Beatles chegaram ao fim e foi como se uma flor ficasse madura para lançar sementes. Deu no Jornal da Tarde, o diário de uma geração. Em suas páginas aconteceram a Primavera de Praga, ouvimos os discursos inflamados de Daniel Cohn-Bendit (Dani o Vermelho), e assistimos as atrocidades do Vietnã. São Paulo se desconstruia como capital de província e vestia seu manto cosmopolita. O Brasil pensava grande e realizava pequeno.

1968 o ano do primeiro beijo
Quando eu desci as escadas na rua pacata do Brooklin, lá embaixo estava a Rachel, uma linda menina de 14 anos. Em silêncio, com muita timidez, as mãos se tocaram. Ao longe os ruídos dos aviões de Congonhas e, da sala, o som da vitrola tocando ie-ie-ie. Nos olhos o brilho da emoção de ter chegado a hora. Um momento ansiado por anos, a espera de cada um e a realização. Um beijo. Não qualquer beijo, mas o primeiro, que me lançou no mundo dos homens, a primeira manifestação sexuada em relação a uma mulher. O máximo. O início de uma década que só terminaria 10 anos depois, quando entrei na faculdade.
Depois daquele beijo tudo ficou diferente. A ternura virou tesão. As festas coloridas ganharam os sinais de territórios de caça. Dançar, um ritual de acasalamento e, viver, uma grande emoção. Começavam ali os Incríveis Anos Setenta, que me levaram a conhecer terras e mulheres, que me mostraram caminhos e descaminhos, que trouxeram e levaram amigos. O rock como hino, a liberdade como bandeira e as drogas como caminho. Ao som de Starway to Haven se construiu uma geração de caminhantes.
Continua...

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